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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Project Finance

Project Finance, em sua tradução literal, quer dizer "Projeto Financeiro" mas não se resume a estruturar a parte financeira de um projeto e sim a estruturar um projeto a partir de suas finanças.

Desta forma, a maior parte da literatura de nossa área prefere adotar o termo em inglês, para evitar o que aconteceu com "Derivatives" que, traduzindo, deveria chamar-se "Derivados" e não "Derivativos" como ocorreu na terra brasilis.

Um projeto torna-se um “Project Finance” a partir do momento em que é criada uma “Sociedade de Propósito Especifico” – SPE. Esta sociedade, juridicamente aparte dos grupos credores, não aparece nos balanços contábeis de seus empreendedores. A garantia dos credores esta no próprio fluxo de caixa futuro do projeto.

As principais vantagens de transformar um projeto em um Project Finance são:

· CNPJ distinto dos sócios

· Recebíveis: fluxo de caixa e ativos do projeto

· Transparência na execução e demonstração de resultados

· Balanço contábil dos empreendedores menos endividado

Já a principal desvantagem é:

· Custo elevado: contratação de equipe especializada de financistas, advogados e contadores

Quando as empresas estão participando de uma licitação cujo resultado será um Project Finance, elas geralmente lançam mão de garantias. Estas garantias incluem:

· Bid Bond: garante ao licitante indenização caso o vencedor não assine o contrato.

· Performance Bond: garantia de que, caso ganhe a licitação, a empresa de fato executará o projeto até o seu final, ou seja, garante-se o desempenho do projeto.

· Maintenance Bond: indeniza o licitante em caso de baixa qualidade do projeto executado, ou seja, ao contratar esta garantia afirma-se a qualidade do que será executado.

Em relação ao fluxo de caixa advindo do projeto executado, temos as seguintes figuras:

· Trustee: banco encarregado pela conta do projeto

· Escrow account: conta a qual receberá as receitas para que sejam acumuladas e para que, posteriormente, seja pago o financiamento.

É um equivoco pensar que um Project Finance, apesar de seus custos, esta restrito a grandes empresas. O Sebrae possui uma cartilha que visa mostrar as vantagens da criação de uma SPE no segmento de pequenas e medias empresas.

Sendo assim, é importante verificar qual tipo de projeto estamos a gerenciar, um Project Finance ou um projeto financiado através de Corporate Finance, devido as características distintas de cada um deles.



terça-feira, 19 de julho de 2011

Gerenciamento de Projetos em Eventos Culturais


Tive a oportunidade visitar a Gibicon Nº 0 - Convenção Internacional de Quadrinhos, que aconteceu em Curitiba, de 15 a 17 de julho de 2011. O que mais me impressionou, foi o grande número de palestras, workshops, exposições, sessões de autógrafos e outras atividades ocorrendo simultaneamente, que envolveram nada menos do que 7.000 pessoas. Isto me levou a pensar sobre as dificuldades no planejamento de eventos desta natureza. A própria definição de sucesso já é bastantes complicada, como mapear e gerenciar as expectativas de tantas partes interessadas (stakeholders)? São artistas, patrocinadores, colaboradores, apoiadores políticos, apoiadores culturais e o público em geral, todos esperando o melhor possível.

Gerenciar os outros aspectos do projeto também não é tarefa fácil. Ao definir o escopo, há muitos detalhes que precisam ser muito bem amarrados para que tudo ocorra bem. Desde o fluxo das pessoas de um espaço para o outro até os copinhos de café. Tudo isso gera uma EAP (estrutura analítica do projeto) gigantesca, que precisa ser dividida em muitas áreas de responsabilidade para que possa ser manipulada. O cronograma é um desafio à parte, devem ser previstos muitos deslocamentos, buffers podem ajudar, mas é preciso ter em mente que ele sofrerá muitas alterações, pois há muita dependência de fatores externos.

O controle financeiro é extremamente complexo e os riscos relacionados ao evento indicam a necessidade de reservas de contingência. E se chover? E se fizer sol? E se um dos espaços não puder ser utilizado? São muitas perguntas que geram um plano de gerenciamento de riscos enorme. Do ponto de vista da comunicação, os eventos culturais geram muito trabalho, há muitos interesses envolvidos e que precisam ser atendidos sem que haja conflitos entre os stakeholders, afinal de contas, qualidade significa satisfazer expectativas.

O ponto mais nevrálgico, no entanto, é o gerenciamento de recursos humanos. Em última instância, são as pessoas que fazem a mágica acontecer. Um único indivíduo pode colocar todo o trabalho em risco. Por isso, é importante que haja um organograma claro e bem estruturado. Todos precisam saber exatamente o que fazer, quando fazer e a quem recorrer para resolver problemas operacionais e/ou conflitos.

No encerramento da Gibicon, o que vi foram elogios rasgados à organização, que devo admitir, foi impressionante. Todos os espaços estavam lotados e havia um misto de felicidade e espanto no ar. Primeiro porque havia muitos artistas internacionais e nacionais interagindo diretamente com público. Segundo, porque muitos não esperavam que o festival tivesse tamanho impacto e repercussão no Brasil e até no exterior. As pessoas estavam em êxtase, vendo ao vivo os artistas que dão forma e cor à muitos de seus heróis. Não há indicador melhor do sucesso do evento do que o comparecimento maciço do público e a vontade de "quero mais" que ficou no ar.

Parabéns à toda equipe!!!




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